Glaucoma pode ser definido como uma lesão do nervo óptico, de caráter progressivo, com perda de campo visual e risco de cegueira caso não diagnosticado e tratado a tempo. Há direta relação com a pressão intra-ocular (PIO), sendo que a maioria dos portadores de glaucoma apresenta PIO elevada.
Por que ocorre o aumento da pressão intra-ocular?
O humor aquoso, líquido existente no segmento anterior do olho, circula continuamente nutrindo a córnea, cristalino e malha trabecular. No caso do glaucoma, há uma maior resistência à drenagem do humor aquoso na região do trabeculado, levando a um aumento da PIO.
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No olho normal, o líquido sai pela malha trabecular e sai do olho pelo canal de Schlemm.
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No olho com glaucoma há maior resistência deste líquido na malha trabecular.
No mundo inteiro, estima-se que, aproximadamente, 65 milhões de pessoas sejam portadoras de glaucoma, sendo considerada a primeira causa de cegueira irreversível.
Quanto a etiologia de glaucoma, preferimos a utilização do termo “fator de risco”, ao invés de “causa”, para justificar a existência da doença. Dentre os fatores de risco para o glaucoma primário, incluem-se a pressão intra-ocular (PIO), idade avançada, raça negra, história familiar, predisposição genética e espessura corneana mais fina.
O único fator de risco alterável é a PIO, que pode ser reduzida através das seguintes formas:
De todas essas opções, a cirurgia tradicional, também chamada de “trabeculectomia”, tem demonstrado maior efeito e estabilidade na redução da PIO. Tal procedimento, no entanto, geralmente é realizado quando a terapia clínica e com laser falham em controlar a PIO adequadamente.
Se não tratado, o glaucoma leva à cegueira. Isso ocorre devido à lesão progressiva do nervo óptico. A cegueira causada pelo glaucoma é irreversível. Assim, é importante diagnosticar o glaucoma no início, antes que o nervo óptico tenha sido muito lesado, com perda significativa de fibras nervosas.
Inicialmente o paciente não percebe que tem glaucoma, que raramente apresenta sintomas, exceto nos casos de glaucoma agudo, em que o paciente apresenta dor no olho, olho vermelho, piora da visão, visão de halos tipo arco-íris e até náusea e vômito.
Na maioria dos casos, o glaucoma evolui lentamente, sem que o paciente perceba. O diagnóstico precoce de glaucoma só é feito em exame oftalmológico preventivo, principalmente após os 40 anos, porém podendo ocorrer também em jovens. Assim sendo, a prevenção é o melhor aliado quando falamos em glaucoma.
O oftalmologista realiza uma série de exames, todos indolores, para diagnosticar e controlar a doença.
Em geral, os valores de normalidade estão entre 10 e 21 mmHg para indivíduos não glaucomatosos. A pressão intra-ocular varia durante o dia, sendo necessárias medidas em diferentes horários. É importante que o paciente se interesse em saber o valor de sua pressão intra-ocular.
Através deste exame, o oftalmologista terá conhecimento do estado do nervo óptico e se há dano causado pelo glaucoma.
O glaucoma não controlado leva progressivamente à perda de partes do campo de visão. O exame de capo visual serve para detectar estas perdas e observar se estes defeitos progridem com o tempo.
valores normais entre 530 e 550 micrometros. Se a córnea for mais fina do que o normal, a medida da PIO estará falsamente reduzida, e vice-versa.
Fotografia tridimensional do nervo óptico, realizada para se ter uma referência no início do tratamento e sempre que houver suspeita de progressão da lesão glaucomatosa. Fundamental no acompanhamento da doença.
O tratamento básico se faz com medicação tópica (colírios), podendo ser complementada com comprimidos ou laser. Nos casos de difícil controle, com PIO fora do “alvo” e progressão da doença, faz-se necessária a realização de cirurgia filtrante.
O principal objetivo do tratamento é reduzir a pressão intra-ocular, diminuindo a produção ou aumentando o escoamento do humor aquoso. Dessa maneira tentamos interromper o progresso da lesão do nervo óptico e, assim, preservar a visão do paciente.
Pacientes com glaucoma primário deverão usar a medicação por toda a vida, exceto se tiverem realizado algum tipo de cirurgia. De nada adianta proteger o seu nervo óptico durante alguns períodos do dia. Sempre que a pressão intra-ocular estiver fora da “PIO alvo”, algum dano ao nervo óptico estará sendo causado.
Cada tipo de colírio pode apresentar uma forma de uso diferente. Isso está relacionado à duração do seu efeito, sendo fundamental o uso conforme prescrição médica. Recentes trabalhos mostram que a variação da PIO durante o dia também constitui um fator de risco na progressão do glaucoma, sugerindo-se a busca por menos flutuação da PIO.
Uma vez iniciado o tratamento do glaucoma, ele só poderá ser interrompido por orientação do oftalmologista.
Importante: sempre ter um frasco de colírio reserva. Todas as orientações oftalmológicas devem ser seguidas.
O A aplicação de uma gota por vez em cada olho é suficiente.
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O laser pode ser aplicado no Glaucoma na trabeculoplastia |
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A trabeculestomia é a técnica cirúrgica para o Glaucoma e consiste na retirada de pequena porção do "ângulo" (seta vermelha" ) melhorando a drenagem (seta verde) Em uns casos mais severos de Glaucoma podemos realizar o Implante para melhorar a drenagem |
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